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Após desemprego, famílias buscam opções para se adaptar à crise


19/05/2017

Quando o especialista em tecnologia da informação (TI) Joselito Oliveira Silva, de 52 anos, foi dispensado pela IBM do Brasil, em abril de 2014, após 19 anos de trabalho, ele achava que em seis meses estaria de volta ao mercado. Passados três anos, são os dois filhos e a ex-esposa, que nunca precisaram trabalhar, que agora o ajudam a superar os percalços do desemprego. 

 

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"Eu tinha salário de executivo, na faixa de R$ 30 mil, e contava com uma boa reserva, mas esperava me reempregar rápido. Quando passou um ano, me assustei. No segundo ano, entrei em desespero", relata.

 

Silva havia se mudado de São Paulo para Sorocaba e, depois de um tempo viajando diariamente, trabalhava em sistema de home service. Ele conta que foi dispensado por telefone.

 

"Alegaram a crise e disseram que, se o cenário melhorasse, voltavam a falar comigo. Não falaram mais." 

 

Com casa em condomínio de alto padrão, os dois filhos fazendo a segunda faculdade privada e tendo de pagar o acordo decorrente do divórcio, ele viu as reservas minguarem.

 

"Recorri aos amigos e antigos colegas de trabalho e, nada. Alguns estavam até em situação pior que a minha. Vi que a crise tinha pegado geral."

 

O ex-executivo vendeu a casa no condomínio Ibiti do Paço, comprou para a família num imóvel de bom padrão, mas fora de condomínio, e com a diferença decidiu abrir um negócio próprio.

 

Ele adquiriu um ponto e abriu o restaurante Vila Leão, na região central da cidade, em outubro do ano passado. Os quatro - ele, os filhos Igor, de 29 anos, e Ítalo, de 26, e a ex-mulher Agda - dividem as funções no atendimento às mesas e no caixa, contando ainda com uma auxiliar e duas cozinheiras contratadas. Silva conta que precisou vender os veículos dos filhos - uma moto e um carro - para manter o negócio.

 

A maior dificuldade, segundo ele, é fazer os rapazes chegarem às 8 horas para o trabalho. "Foi falha minha não tê-los acostumado a levantar cedo. É que eles nunca tinham precisado trabalhar." Os dois ainda tentam conseguir empregos. Igor fez cursos de marketing e publicidade, enquanto Ítalo, também formado em marketing, fez ainda curso superior de relações públicas. 

 

Com a crise, Ítalo fez até um curso técnico em mecânica de motos, mas não conseguiu colocação. O jovem se diz um pouco contrariado na função de garçom. "Ainda não peguei bem o jeito, mas precisamos nos ajudar."

 

Silva diz que o restaurante ainda não decolou, por isso ele e os filhos estão atentos às oportunidades de emprego. "Falam que a crise acabou, mas não é verdade, está longe de acabar. Nos últimos meses, o movimento aqui caiu bastante."

 

Ele ainda tem esperança de voltar ao mercado de trabalho. "São 35 anos de TI, acho que ainda tenho muito a oferecer."

 

Salário menor. O ex-administrador de fazenda Armando Benedito Rodrigues, de 58 anos, tinha um bom salário, casa cedida pelo patrão, carro e um padrão de vida confortável, em Vargem Grande Paulista, na Grande São Paulo. Até que a crise obrigou o dono a vender a fazenda.

 

"Precisei me mudar e pagar aluguel, primeiro morando em Araçoiaba da Serra, e agora em Sorocaba, mas não consegui achar outra fazenda que me contratasse. No desespero, aprendi a trabalhar como pedreiro."

 

Ele conta que, nesse período, só conseguiu manter os filhos menores - Isabel Cristina, de 16 anos, Julio Cesar, de 15, e Mário, de 6 - graças à ajuda dos filhos mais velhos, Wellington, de 29 anos, e José, de 26, que faziam "bicos" e se viram obrigados a buscar emprego fixo.

 

O mais velho está registrado no Senai e José trabalha como cabeleireiro. A menina Isabel, terminando o segundo grau, busca colocação como menor aprendiz. Há um ano, o próprio Rodrigues desistiu de procurar trabalho como administrador rural e acabou aceitando o emprego numa padaria, como ajudante geral, com salário bem menor. "Pelo menos, voltei a ter registro em carteira", disse. 

 

Fonte: Estadão


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