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Economistas reduzem projeções para o PIB em 2017 e 2018


13/06/2017

A crise política atingiu em cheio as projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. Em meio às incertezas quanto à aprovação das reformas trabalhista e previdenciária no Congresso, os economistas do mercado reduziram suas expectativas de crescimento para este e o próximo ano, conforme os dados do Relatório de Mercado Focus, divulgados ontem pelo Banco Central. Pelas projeções, o equivalente a R$ 18,3 bilhões já desapareceram do PIB brasileiro em 2017 e 2018 em função da crise econômica.

 

A alta projetada para o PIB em 2017 passou de 0,50% – porcentual que vinha sendo mantido desde antes do estouro da crise – para 0,41% no relatório de ontem, cuja data de referência é a última sexta-feira, dia 9. Na prática, é como se os profissionais do mercado eliminassem R$ 5,64 bilhões da expectativa de crescimento para este ano, conforme cálculo da Tendências Consultoria Integrada.

 

A projeção de crescimento para 2018 também foi prejudicada e passou de 2,50% de antes da crise para 2,40% na semana passada e 2,30% no Focus de ontem. O decréscimo desde a crise, considerando o acumulado de 2017 e 2018, é de R$ 18,3 bilhões, segundo a Tendências. “O que mudou foram os fatos novos trazidos pela política, que têm proporcionado essa leitura menos favorável para a retomada da economia”, pontuou o economista Silvio Campos Neto, da Tendências. A consultoria projeta crescimento de 0,3% para o PIB em 2017 e avanço de 2,8% para 2018 – um porcentual até maior que os 2,30% do Focus para o ano que vem.

 

No boletim Focus, o pessimismo atinge também as projeções para a área industrial – a mais importante para o PIB. Após dois anos de forte retração, a alta estimada para a produção industrial em 2017 era de 1,25% antes da crise. Depois, passou para 1,09% e, agora, para 0,94%. No caso de 2018, a projeção de avanço segue em 2,50%.

 

As projeções de inflação no Focus também desaceleraram. A estimativa para o IPCA – o índice oficial de inflação – para 2017 passou de 3,93% de antes da crise para 3,90% na semana passada e, agora, para 3,71%. No caso de 2018, os economistas projetam inflação de apenas 4,37%. Em ambos os anos, a expectativa está abaixo da meta do BC, de 4,5%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual.

 

Esse cenário de inflação baixa e atividade fraca faz alguns economistas verem espaço para novo corte de 1 ponto porcentual da Selic (a taxa básica de juros) em julho. Hoje, em 10,25% ao ano. No boletim Focus, porém, a expectativa é de corte de 0,75 ponto porcentual em julho. A projeção é de que a Selic termine 2017 em 8,5% ao ano e encerre 2018 no mesmo patamar.

 

Fonte: Estadão


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