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Individualização da conta de água traz economia a prédios


17/04/2017

Capaz de reduzir o consumo de água nos condomínios, e consequentemente a taxa mensal de manutenção do conjunto, a medição hídrica individualizada nos edifícios residenciais é assunto de assembleias e análises por parte de muitos síndicos e moradores de São Paulo. A maior dúvida diz respeito à possibilidade de implantação em prédios antigos e se realmente vale a pena.

 

De acordo com o vice-presidente de administração imobiliária e condomínios do Sindicato da Habitação (Secovi-SP) e diretor do Grupo Hubert, Hubert Gebara, a mudança faz bem à natureza e ao bolso. “Depois dos gastos com recursos humanos, a conta de água e esgoto é a segunda maior despesa de um condomínio, cerca de 15% do total. Com a individualização, é possível baratear até mesmo a taxa condominial.”

 

Quando os condôminos começam a ver, mês a mês, exatamente quanto gastam na conta de água, passam a economizar. No Edifício Torre de Távora, na Vila Mariana, que tem 40 unidades, o síndico Nilton Savieto conseguiu aprovar as aferições por apartamento há cerca de três anos e meio. A conta que chegava a R$ 12 mil, hoje não passa dos R$ 4 mil.

 

Como o prédio é antigo – tem 25 anos–, não foi possível instalar o sistema integralmente. Ou seja, apenas parte do gasto de água é individualizado. O restante da conta é separada proporcionalmente. “É o sistema híbrido, geralmente usado nos edifícios mais velhos, com muitas colunas de água – ou prumadas. Eles têm uma coluna para cada ambiente como banheiro, cozinha ou lavanderia”, diz a gerente de produtos e parcerias da Lello Condomínios, Raquel Tomasini.

 

No Edifício Metrópolis, na Vila Romana, a individualização foi feita logo depois da construção do prédio. “Já tínhamos a estrutura necessária para fazer a medição por apartamento, só faltava instalar os hidrômetros”, conta o síndico, Claudio Zemaitis. A construção tem duas colunas de água. Por isso, foi necessário colocar dois hidrômetros – que, neste caso, ficam dentro dos imóveis – para contabilizar os gastos dos moradores.

 

O condomínio tem 66 unidades e a média da conta total é de R$ 7 mil. Como o sistema foi instalado logo no início, Zemaitis não sabe dizer exatamente de quanto foi a economia. “Em comparação a outros residenciais com as mesmas características de ocupação, diria, sem medo de errar, que economizamos até 30% na conta de água.”

Certificação. Em nenhum desses dois casos a Sabesp envia uma conta para cada morador. O condomínio continua recebendo uma conta geral para o prédio. Mas com a individualização e o trabalho das empresas responsáveis pelo sistema de medição, é possível saber quanto cada apartamento gastou. Então, são os próprios síndicos, em parceria com as administradoras, que fazem a cobrança da conta de água em conjunto com a taxa condominial.

 

Isso acontece porque, para que a Sabesp emita uma conta para cada um dos apartamentos, algumas regras precisam ser seguidas.

 

A companhia, desde 2007, trabalha em parceria com a ProAcqua, organização não governamental que certifica empresas, profissionais e equipamentos envolvidos no processo de instalação da medição individualizada. Uma das principais exigências desse sistema é ter os hidrômetros do lado de fora dos apartamentos. Descargas tem de ser em caixa acoplada, e não válvula Hydra.

 

“Os medidores devem ficar nas áreas comuns, para que a Sabesp não entre nas residências. É norma técnica”, conta a gerente do departamento de Gestão das Relações com Clientes da Sabesp, Samanta Souza.

 

No Estado de São Paulo, seis empresas foram homologadas para prestar esse serviço: Blockar do Brasil, CAS Tecnologia, Laager, GestWay, Individualiza (Mobix) e WGE Solution. “Elas são testadas, treinadas e fiscalizadas. Quando o síndico liga para a Sabesp pedindo a individualização, nós solicitamos que as empresas entrem em contato com o condomínio para fazer visita técnica e fornecer orçamento. Aí se iniciam as obras”, diz Samanta.

 

De acordo com a gerente, o grande diferencial neste caso é que a Sabesp pode fazer o corte de fornecimento em caso de inadimplência. “Se qualquer outra empresa ou o próprio condomínio cortarem a água de quem não pagou, eles ficam sujeitos a sanções. Pelo ProAcqua, os inadimplentes não colocam a saúde financeira do residencial em risco”, diz. “Com as tecnologias certificadas, a medição é mais confiável. Ela é toda feita na portaria, o que gera maior segurança ao condomínio, porque não precisa abrir a porta para outras pessoas.”

 

No Edifício Metrópolis, a individualização foi feita antes de a Sabesp criar a certificação. “O número de inadimplência é bem baixo no condomínio. Hoje, para seguir as regras da Sabesp, teríamos de refazer todo o projeto hidráulico, porque, atualmente, os medidores estão instalados dentro dos apartamentos”, diz o síndico.

 

Ele diz que, para fazer a divisão da conta, recorre ao trabalho da empresa gerenciadora da central de medição (CAS Tecnologia), que envia dados de consumo e gera um relatório.

 

Gastos. Se a motivação para a individualização dos hidrômetros for, principalmente, financeira, é justamente o alto preço da adaptação que pode inviabilizá-la. Como pela Sabesp é preciso instalar os hidrômetros do lado de fora dos apartamentos, muitas vezes é preciso refazer todo o sistema hidráulico.

 

“Nesses casos, só vale a pena fazer quando o prédio é muito antigo e já precisa trocar a tubulação de ferro, cobre ou latão pela de PVC, por exemplo. Aí aproveita e faz uma obra só”, diz o diretor geral da Laager, Felipe Duque Estrada.

 

O texto abaixo apresenta as diferenças entre o processo certificado pela Sabesp e o que é feito por companhias não homologadas.

 

Entenda como são os métodos para a troca do sistema de medição

Antes de fazer a troca do sistema de medição hídrica, é preciso saber quais as condições financeiras e estruturais do condomínio. Se o prédio for antigo – geralmente com mais de 15 anos – é provável que ele tenha várias colunas de água.

 

“Antigamente, as construtoras criavam uma prumada para cada ambiente. Ou seja, a depender do tamanho do apartamento, é possível encontrar oito colunas, que levam separadamente a água da caixa para os ambientes (cozinha, lavanderia, banheiros)”, diz o diretor geral da Laager, Felipe Estrada. Quanto mais colunas, maior a complexidade da individualização.

 

No caso de uma troca pelo processo não certificado pela Sabesp , um dos caminhos é instalar um hidrômetro para cada coluna de água, dentro dos apartamentos. Se um condomínio tiver três prumadas, cada família terá três kits de medição dentro de casa. Quanto mais prumadas, mais hidrômetros. Cada kit, fora do sistema da Sabesp, custa em média R$ 400. Se o prédio for abastecido por várias colunas de água, o gasto é maior.

 

Neste cenário, a única opção é a chamada autogestão. Ou seja, o condomínio continua recebendo apenas uma conta total, emitida pela Sabesp. Por meio do sistema interno, instalado pela empresa de individualização, é possível verificar quanto cada unidade gastou por mês e cobrar no mesmo boleto da taxa condominial. É o caso do Edifício Metrópolis, citado acima.

 

Caso o prédio antigo queira fazer a mudança pelo sistema Sabesp/ProAcqua, ele pode inutilizar as colunas de água existentes, refazendo todo o projeto hidráulico. Como uma das exigências é que os hidrômetros estejam em áreas comuns, é preciso criar um encanamento novo. Esse novo encanamento é uma grande prumada.

 

Ela pode ser colocada entre os apartamentos, com saídas para que abasteçam cada uma das unidades. Ou pode ser instalada também pelo lado de fora do prédio, na fachada. Assim, não é preciso quebrar paredes. Em cada uma das saídas, é instalado um hidrômetro, que vai medir quanto de água que entra para cada família.

 

Os dados são enviados para um concentrador (por radiofrequência ou cabos de fibra óptica) que fica na portaria. A Sabesp passa uma vez por mês, faz a medição e envia uma conta para cada apartamento.

 

Ambas opções são tecnicamente possíveis, segundo o engenheiro Ricardo Marques, da WGE Solutions.

Ele conta que a empresa já fez demonstrações em prédios da década de 1940 e 1950. Entretanto as obras podem ser financeiramente inviáveis. Por isso, muitos prédios só fazem a individualização quando precisam refazer o encanamento que está velho, entupido ou com vazamentos; ou os condomínios optam pelo sistema híbrido (como o Edifício Torre de Távora, do texto acima).

 

“Nos prédios recentes, todos os apartamentos são abastecidos por uma grande prumada, então é possível colocar os aparelhos de medição nos halls dos andares, em uma caixa chamada shaft. Custa cerca de R$ 700 por apartamento”, diz Estrada. É o caso do condomínio Plena Vila Prudente, entregue em 2014, que fez a individualização com a Laager.

 

“A conta vai direto para o morador. É menos responsabilidade para mim”, diz o síndico Cesar Andrade.

 

Fonte: Estadão

 


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